A segunda versão da era Dunga terminou de maneira melancólica ontem, em Port Elizabeth, com uma derrota de virada da seleção brasileira para a Holanda, por 2 a 1, e a consequente eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. O trabalho, que começou em agosto de 2006 e teve bons momentos com a conquista de dois títulos, fracassou na busca de seu objetivo mais importante. O sonho do hexacampeonato, agora, transfere-se para o Mundial que o Brasil vai organizar daqui a quatro anos.
A queda da seleção brasileira diante do primeiro adversário realmente perigoso que encontrou em gramados sul-africanos foi reflexo direto de uma proposta que se mostrou eficiente, mas, ao mesmo tempo, limitada.
O Brasil de Dunga sempre deu mais importância à solidez defensiva e aos contra-ataques como forma de chegar à vitória. O jogo bonito, criativo e ofensivo que tornou, ao longo da história, o país uma potência do futebol mundial foram deixados de lado. Faltaram jogadores criativos e habilidosos em maior número.
Ontem, eles fizeram falta no segundo tempo, quando o "vento virou". Dunga "morreu abraçado" com o atleta que escolheu para ser sua imagem e semelhança dentro de campo. Felipe Melo descontrolou-se mais uma vez e foi expulso no segundo tempo por pisar em Robben quando o Brasil já perdia por 2 a 1. Desde aquele momento, a reação tornou-se impossível.
Não é exagero dizer que o Brasil perdeu um jogo que estava praticamente ganho. O primeiro tempo da seleção foi perfeito, o melhor nesse Mundial. Bem posicionada em campo, ganhando as bolas no meio de campo, inibindo a criação por parte de Sneijder e anulando o previsível Robben, a equipe dominou a Holanda. Fez 1 a 0 aos 10 minutos com Robinho, que concluiu belo passe de Felipe Melo em profundidade e soube aproveitar o fato de a defesa holandesa ter marcado em linha. E poderia ter feito mais. O rival estava atônito, não acertava uma jogada.
Mas o Brasil de Dunga nunca teve como estratégia agredir um adversário baleado para nocauteá-lo de vez. Sempre preferiu fechar-se na defesa para atrair a presa e então contra-atacá-la. Foi o que fez ontem após o 1 a 0.
Tivesse optado pela agressividade, talvez os jogadores não precisassem chorar a eliminação. Deixar a Holanda sair de campo respirando ao fim do primeiro foi um erro que custou caro. Na etapa final, os rivais foram ao ataque, as jogadas pelo setor de Robben começaram a aparecer. Michel Bastos, com cartão amarelo pelas seguidas faltas, teve de ser substituído para não receber o vermelho.
Virada incrível. Sneijder passou a dominar o jogo. Acabaria responsável direto pela virada holandesa. Foi dele o cruzamento para a área que acabou no erro na saída de gol de Julio Cesar e no toque atabalhoado de Felipe Melo contra a rede brasileira, aos 8 minutos. Foi dele o gol de cabeça, primeiro em sua carreira, aos 23, após escanteio da direita e desvio de Kuyt.
Em desvantagem, a seleção mostrou descontrole em campo. A bronca de Robinho em Robben num momento em que era preciso um mínimo de concentração foi o maior exemplo de um time despreparado para conviver com adversidades.
Nada fez para chegar ao empate e ainda se livrou de sofrer mais gols. Dunga olhou para o banco e viu poucas opções. Não convocou Ganso, Neymar, Ronaldinho... Lá estava Kleberson como opção para arrumar o meio-campo. Não dava... Foi o fim de um trabalho baseado no pragmatismo, no grupo fechado, no comprometimento. Dunga deixa a seleção após algumas vitórias expressivas, mas sem conquistar o principal objetivo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário