sábado, 3 de julho de 2010

O APAGÃO DO BRASIL NO SEGUNDO TEMPO

Almir leite - O Estado de S.Paulo

A segunda versão da era Dunga terminou de maneira melancólica ontem, em Port Elizabeth, com uma derrota de virada da seleção brasileira para a Holanda, por 2 a 1, e a consequente eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. O trabalho, que começou em agosto de 2006 e teve bons momentos com a conquista de dois títulos, fracassou na busca de seu objetivo mais importante. O sonho do hexacampeonato, agora, transfere-se para o Mundial que o Brasil vai organizar daqui a quatro anos.

A queda da seleção brasileira diante do primeiro adversário realmente perigoso que encontrou em gramados sul-africanos foi reflexo direto de uma proposta que se mostrou eficiente, mas, ao mesmo tempo, limitada.

O Brasil de Dunga sempre deu mais importância à solidez defensiva e aos contra-ataques como forma de chegar à vitória. O jogo bonito, criativo e ofensivo que tornou, ao longo da história, o país uma potência do futebol mundial foram deixados de lado. Faltaram jogadores criativos e habilidosos em maior número.

Ontem, eles fizeram falta no segundo tempo, quando o "vento virou". Dunga "morreu abraçado" com o atleta que escolheu para ser sua imagem e semelhança dentro de campo. Felipe Melo descontrolou-se mais uma vez e foi expulso no segundo tempo por pisar em Robben quando o Brasil já perdia por 2 a 1. Desde aquele momento, a reação tornou-se impossível.

Não é exagero dizer que o Brasil perdeu um jogo que estava praticamente ganho. O primeiro tempo da seleção foi perfeito, o melhor nesse Mundial. Bem posicionada em campo, ganhando as bolas no meio de campo, inibindo a criação por parte de Sneijder e anulando o previsível Robben, a equipe dominou a Holanda. Fez 1 a 0 aos 10 minutos com Robinho, que concluiu belo passe de Felipe Melo em profundidade e soube aproveitar o fato de a defesa holandesa ter marcado em linha. E poderia ter feito mais. O rival estava atônito, não acertava uma jogada.

Mas o Brasil de Dunga nunca teve como estratégia agredir um adversário baleado para nocauteá-lo de vez. Sempre preferiu fechar-se na defesa para atrair a presa e então contra-atacá-la. Foi o que fez ontem após o 1 a 0.

Tivesse optado pela agressividade, talvez os jogadores não precisassem chorar a eliminação. Deixar a Holanda sair de campo respirando ao fim do primeiro foi um erro que custou caro. Na etapa final, os rivais foram ao ataque, as jogadas pelo setor de Robben começaram a aparecer. Michel Bastos, com cartão amarelo pelas seguidas faltas, teve de ser substituído para não receber o vermelho.

Virada incrível. Sneijder passou a dominar o jogo. Acabaria responsável direto pela virada holandesa. Foi dele o cruzamento para a área que acabou no erro na saída de gol de Julio Cesar e no toque atabalhoado de Felipe Melo contra a rede brasileira, aos 8 minutos. Foi dele o gol de cabeça, primeiro em sua carreira, aos 23, após escanteio da direita e desvio de Kuyt.

Em desvantagem, a seleção mostrou descontrole em campo. A bronca de Robinho em Robben num momento em que era preciso um mínimo de concentração foi o maior exemplo de um time despreparado para conviver com adversidades.

Nada fez para chegar ao empate e ainda se livrou de sofrer mais gols. Dunga olhou para o banco e viu poucas opções. Não convocou Ganso, Neymar, Ronaldinho... Lá estava Kleberson como opção para arrumar o meio-campo. Não dava... Foi o fim de um trabalho baseado no pragmatismo, no grupo fechado, no comprometimento. Dunga deixa a seleção após algumas vitórias expressivas, mas sem conquistar o principal objetivo.

STF LIVRA DEPUTADA DO GOIÁS DO "FICHA LIMPA"

O Supremo Tribunal Federal (STF) livrou mais um candidato dos efeitos da Lei da Ficha Limpa. O ministro José Antonio Dias Toffoli concedeu liminar para a deputada estadual goiana Maria Isaura Lemos (PDT-GO), punida por improbidade administrativa por supostas irregularidades cometidas já no mandato parlamentar. Em sua decisão, Toffoli afirmou que a lei possui pontos juridicamente questionáveis. Segundo ele, a legislação “exige reflexão” e “apresenta elementos jurídicos passíveis de questionamentos absolutamente relevantes”. Em 2008, o Supremo havia entendido que só pode ficar inelegível aquele político com condenação transitada em julgado, sem mais possibilidade de recurso. A nova legislação aprovada este ano pelo Congresso, de iniciativa popular, estendeu a inelegibilidade para aqueles políticos já condenados por um colegiado (mais de um juiz), mesmo que ainda possam recorrer. No caso, Isaura Lemos, que planeja se candidatar para o cargo de deputada federal, foi condenada pela 1ª Vara de Fazenda Pública do Estado de Goiás, por supostamente se apropriar de salários de servidores de seu gabinete e contratar funcionários fantasmas. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Toffoli suspendeu a condenação por entender que ela deveria ter sido julgada diretamente pelo tribunal, já que as acusações foram feitas quando ela já era parlamentar. Na quinta-feira, o ministro do STF Gilmar Mendes suspendeu uma decisão contrária ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), também o livrando da inelegibilidade. O senador foi condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Piauí por “conduta lesiva ao patrimônio público” quando era prefeito de Teresina (1989-1992).
QUATRO NA DISPUTA PELO GOVERNO DE GOIÁS
Quatro candidatos vão disputar o voto de quatro milhões de eleitores goianos nas urnas no dia 03 de outubro, para saber quem vai governador Goiás a partir de 1º de janeiro de 2011. Com o fim do período para realização das convenções partidárias, foram confirmados na disputa Iris Rezende (PMDB), Marconi Perillo (PSDB), Vanderlan Cardoso (PR) e Washington Fraga (PSOL). Após garantir o respaldo do DEM à sua aliança, que já contava com outros nove partidos (PTB/PPS/PHS/PRB/PMN/PSL/PRTB/PTdoB e PTC), o PSDB conquistou o maior tempo no horário eleitoral no rádio e televisão, com quase seis minutos em cada bloco. O candidato a vice de Marconi é o advogado José Eliton (DEM), que nasceu em Rio Verde mas foi criado em Posse. Para a disputa do Senado, foram confirmados Demóstenes (DEM) e Lúcia Vânia (PSDB). A primeira suplência de Lúcia Vânia foi destinada à médica itumbiarense Ione Guimarães, do PTB. A chapa de Iris também foi definida. Na vice, foi aprovado o nome do deputado federal Marcelo Melo (PMDB), de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Para o Senado, Pedro Wilson (PT) e Adib Elias (PMDB). O PCdoB também integra a chapa. Vanderlan Cardoso (PR) vai à disputa para governador com respaldo de mais oito legendas: PP/PDT/PSB/PTN/PSDC/PSC/PV e PRP. Na vice, foi confirmado o deputado estadual Ernesto Roller (PP), de Formosa, e uma vaga no Senado para Paulo Roberto Cunha (PP), de Rio Verde. O segundo nome para o Senado será divulgado hoje. Washington Fraga é o nome do PSOL para concorrer ao governo. Seu vice é Nilton Nalin (PSOL) e as duas vagas no Senado serão preenchidas por Rubens Donizete (PSTU) e Elias Vaz (PSOL). O pedido de registro das candidaturas deve ser encaminhado ao TRE até o dia 5 de julho, quando serão analisados pelos juízes eleitorais.