sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SEM MEDO DO PASSADO

SEM MEDO DO PASSADO Fernando Henrique Cardoso O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, auto glorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira? A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo. Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país. Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores. Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobrás, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobrás produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”. O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real. Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores. É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

LULA VIROU 'LÍDER DE FACÇÃO POLÍTICA', DIZ AÉCIO NEVES

LUCIANO COELHO - Agência Estado

O ex-governador de Minas Gerais e senador eleito pelo PSDB no Estado, Aécio Neves, lamentou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio de agressão ao candidato tucano à Presidência, José Serra, na quarta-feira, no Rio de Janeiro. "O presidente se despe da condição de chefe de Estado para virar líder de facção política", acusou Aécio, ao chegar a Teresina (PI) acompanhado pelo secretário nacional do PSDB, deputado federal Rodrigo de Castro, para reforçar a campanha de Serra e do candidato tucano a governador do Piauí, Sílvio Mendes.

"As agressões contra Serra são lamentáveis. A democracia pela qual tanto lutamos é um patrimônio maior que uma eleição ou um grupo político. O presidente da República, ao reagir de forma ofensiva a um candidato que foi efetivamente agredido, ao adentrar em discussões ou análise de relatórios da Polícia Federal (PF) de forma absolutamente equivocada, violenta as instituições de Estado, como vem fazendo em favor de sua candidata (Dilma Rousseff)." O deputado Rodrigo de Castro afirmou que o PSDB estuda reagir aos ataques petistas. No entanto, disse que a postura dos tucanos não é de ataque nem de agressão.

Aécio Neves defendeu a candidatura de Serra, afirmando que o tucano é mais eficiente pelo preparo e experiência. "Vamos lutar até o ultimo momento, e estamos assistindo a recuperação de Serra em algumas regiões. Vamos lutar com nossas armas, sem ofender, sem agredir e sem deixar de ter respeito por nossos adversários. Serra tem melhores condições de dar continuidade ao que há de bom até aqui e avançar muito mais."

O senador recém-eleito disse que o Brasil avançou com o PT, mas lembrou que este avanço começou muito antes do governo Lula. "O Brasil avança, reconheço isso, mas começou muito antes do governo Lula. O PT votou contra o plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Reconheço o avanço do governo do PT, mas precisa agir e reconhecer que cada governo que passou colocou um tijolo no desenvolvimento brasileiro."

Aécio disse que o País precisa de gestão de qualidade para poder enfrentar os desafios no campo social e defendeu o voto em Sílvio Mendes. "É um dos mais modernos administradores da sua geração e terá o apoio para acrescentar experiências de outras gestões tucanas de outros Estados."

CNBB

Igreja orienta para o voto consciente

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, defendeu que deve ser respeitado o direito de a Igreja manifestar suas convicções. Adeclaração faz referência à polêmica em relação ao aborto. O religioso defendeu a importância de o assunto entrar na pauta das eleições. – Numa sociedade democrática, o que não se pode fazer é querer silenciar a Igreja. Qualquer grupo minoritário manifesta a sua posição e repercute isso na sociedade. A Igreja, com o peso e o volume que tem, quando fala é acusada de se intrometer em um âmbito fora de sua competência? Esse argumento é falso – criticou o religioso, após a apresentação do material da nova campanha da fraternidade da CNBB. – O que a Igreja está defendendo é uma posição que diz respeito à vida. A luta pela vida não se faz apenas por motivos religiosos. Estado laico não é sinônimo de Estado ateu ou antirreligioso – completou. Segundo dom Geraldo, a posição da entidade no Brasil em relação às eleições é muito clara. – A CNBB não aponta partidos nem candidatos. A CNBB indica critérios para que o cristão, com a sua consciência bem formada, possa votar livremente de acordo com os critérios que ele assume. Dom Geraldo afirmou que os bispos são livres para informar e orientar os fiéis de suas dioceses. – Os bispos podem fazer suas escolhas, e eles falam ou em nome pessoal ou na qualidade de pastores.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PESQUISAS SE DIVERGEM QUANTO AOS RESULTADOS PARA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Pesquisa CNT/Sensus: Dilma 52,8% dos votos válidos, Serra 47,2%

Pesquisa de intenção de votos da CNT/Sensus, divulgada nesta quinta-feira (21), mostra que a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff está com 52,8% e José Serra (PSDB) com 47,2%. Esses são os resultados da pesquisa estimulada. A pesquisa foi feita nos dias 18 e 19 deste mês. 2 mil pessoas foram ouvidas em 136 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

A diferença entre Dilma e Serra nesta pesquisa é de 5 pontos. O resultado diverge da pesquisa Ibope publicada nesta quarta-feira. De acordo com o instituto Ibope, a diferença entre Dilma e Serra é de 12 pontos.

A última pesquisa realizada pela CNT/Sensus mostrava empate técnico entre os candidatos que disputam o segundo turno presidencial. A última consulta popular foi realizada nos dias 11 a 13 deste mês.

Na espontânea, Dilma aparece com 45,3% dos votos válidos (não são computados brancos, nulos e indecisos) e Serra com 40,6%.

Limite de voto

Para 44,7%, Dilma é a única candidata em quem votariam; para 15,5%, a candidata na qual poderiam votar; 35,2%, não votariam de jeito nenhum.

Para 35,8%, José Serra é o único candidato em quem votariam; para 20,6%, é o candidato no qual poderiam votar; 39,8%, não votariam de jeito nenhum. A pesquisa completa encontra-se no site www.cnt.org.br.